Coração de Jesus: paraíso de humanidade

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Dom Gregório Paixão

Arcebispo de Fortaleza
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O paraíso perdido e o coração humano

Permita-me voltar à origem. O Gênesis nos apresenta Deus que cria um paraíso onde Ele deseja passear. A beleza maior da criação é o coração humano. A liberdade de Adão e Eva — entre o bem e o mal — revela também nossa própria escolha cotidiana. A serpente, ao ferir a humanidade, introduziu no sangue algo que chamei de desumanidade: por isso o homem e a mulher se esconderam, temendo a presença de Deus. Mas Deus não desistiu de nós. Ele é Pai que olha seus filhos com amor de eternidade. E nos pede, hoje, que resgatemos o paraíso que é o nosso coração, porque deseja continuar a passear conosco.


Do Calvário ao renascimento: sangue e água 

Esta obra da serpente se torna visível no Calvário: Jesus se deixa crucificar para que todos compreendam até onde vai o amor do Pai. A lança perfura seu lado, seu coração, e dele brotam sangue e água. Ali somos renascidos: banhados nas águas batismais, lavados pelo sangue do Senhor, mergulhados na força do seu amor e da sua misericórdia. Ele se entrega na cruz para que nós caminhemos com Ele até a ressurreição. Eis o que hoje celebramos: Jesus revela o verdadeiro coração do Pai — esquecido ao longo da história desde a mordida da serpente — e nos ensina, pela própria vida, o que significa ser humano.


Configurar a vida à humanidade de Jesus 

Por isso insisto: é preciso manifestar, pela vida, o tesouro da graça que Deus colocou em nosso coração. Do lado ferido de Cristo jorraram sangue e água para nos purificar, para que sejamos novos, para que gestos, palavras e pensamentos sejam configurados à humanidade de Jesus. Celebrando esta grande festa, agradeçamos ao Senhor que testemunhou em sua própria carne aquilo que somos chamados a viver na nossa. Ao abraçarmos profundamente sua vontade, que saibamos realizá-la em gestos concretos e atitudes profundas.