
Padre Deusimar Andrade. Foto: arquivo
Recentemente, a Arquidiocese de Fortaleza viveu um momento singular em sua rica e centenária história: a retomada da Obra das Vocações Sacerdotais (OVS), importante instrumento de promoção e zelo pelas vocações. A partir de sua missão na vida da Igreja Particular, aliada a um fecundo trabalho de pastoral vocacional, a OVS busca suscitar na comunidade eclesial local um necessário senso de corresponsabilidade na promoção das vocações.
A cidade de Fortaleza e sua sociedade civil mantiveram, ao longo da história, uma estreita relação com as vocações sacerdotais, sobretudo pela presença do Seminário Episcopal do Ceará, o Seminário da Prainha, na formação cultural e educacional da cidade. Como aponta o historiador Gisafran Nazareno Mota Jucá, em sua obra sobre a história do Seminário da Prainha, “o Seminário constituía um núcleo cultural de projeção, pois se consolidaria como uma instituição educacional regional, por onde passaram representantes de gerações” (JUCÁ, 2024, p. 83).

A Obra das Vocações Sacerdotais na Arquidiocese de Fortaleza nasceu ainda no início do século XX, diante da necessidade de promover novas e santas vocações e da urgência de desenvolver um trabalho de cuidado espiritual para com aqueles que se preparavam para o sacerdócio. Entre suas finalidades estava também o apoio à manutenção do então Seminário Episcopal do Ceará, o Seminário da Prainha.
A atuação da OVS trouxe impactos significativos para a Arquidiocese. Por iniciativa do então Arcebispo, Dom Manuel da Silva Gomes, foi iniciada uma obra que ultrapassou os limites eclesiásticos próprios da formação dos futuros padres, envolvendo a comunidade eclesial na responsabilidade pela promoção e manutenção das vocações.
Um exemplo desse compromisso coletivo, unindo comunidade eclesial, sociedade e corpo eclesiástico, foi o papel desempenhado pelo Barão de Studart, importante liderança intelectual católica do século passado e nome de destaque da sociedade fortalezense. Seu trabalho filantrópico o colocou entre os fundadores da Obra das Vocações Sacerdotais, conforme aponta o primeiro número da revista A Voz do Seminário, de 1935 (apud LIMA, 1982).

Diante da riqueza histórica que a OVS representa para a vida da Igreja Particular de Fortaleza, sua retomada acontece em um momento significativo, no qual a Arquidiocese conta com um expressivo número de vocações. Para chegar a esse cenário, foi necessário o trabalho dedicado de arcebispos, formadores, benfeitores e leigos, que, cada um a seu modo, contribuíram para cultivar a sementeira dos futuros operários da messe.
Retomar a Obra das Vocações Sacerdotais significa, portanto, dar continuidade a uma história construída por muitas mãos e reafirmar que a promoção das vocações não é responsabilidade exclusiva dos seminários ou dos formadores, mas uma missão compartilhada por toda a comunidade eclesial.
Que a retomada da OVS na Arquidiocese de Fortaleza seja acolhida como uma providencial concretização desse compromisso com as vocações sacerdotais, fortalecendo a oração, o acompanhamento, a promoção e o cuidado com aqueles que são chamados a servir à Igreja.

Seminarista do 1º ano de Teologia da Arquidiocese de Fortaleza
Referências
LIMA, Francisco. O Seminário da Prainha. Fortaleza: BNB, 1982.
JUCÁ, Gisafran Nazareno Mota. Seminário da Prainha: indícios da memória individual e da memória coletiva 160 anos 1864-2024. Fortaleza: [s. n.], 2024. 1 e-book (530 p.).