Durante séculos, cultivou-se o equívoco de que a busca pela santidade e pelo cumprimento da vocação divina exigia um afastamento das realidades terrenas — como se o mundo material, o trabalho profano e as preocupações familiares fossem obstáculos à união com Deus. O ensinamento de São Josemaria Escrivá reapresenta com força a verdade evangélica de que o próprio mundo é o altar onde a nossa vida deve ser oferecida.
A maioria dos cristãos é chamada a santificar-se no meio da rua, na fábrica, no escritório, na universidade e no lar. Há um “algo de divino” escondido nas situações mais ordinárias de cada dia. A verdadeira vida cristã recusa a divisão artificial entre a fé e a vida diária: não existe um momento “espiritual” ao domingo e um momento “secular” durante a semana. Toda a existência de uma pessoa batizada forma um único tecido impregnado da presença de Deus.
Santificar o trabalho significa realizá-lo com a maior perfeição humana possível, não por vaidade ou busca de sucesso pessoal, mas por amor a Deus e por desejo de servir os outros. O trabalho diário deixa de ser um mero meio de subsistência para se tornar uma autêntica oração, um lugar de encontro com Cristo e uma ferramenta de transformação da sociedade.
A vocação laical, portanto, é a vocação de ser fermento na massa. O cristão no meio do mundo é chamado a dar sentido divino às coisas temporais, mostrando que a santidade não é uma utopia para poucos eleitos, mas a meta acessível e entusiasmante para todo aquele que trabalha e ama.